Nem tudo é o que parece

Finalmente terminei de ler Freakonomics – O lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta.

Esse livro foi escrito pelo economista Steven Levitt e pelo jornalista Stephen J. Dubner. Os dois aplicam estatísticas e testam teorias às vezes um pouco polêmicas para defender algum ponto de vista. Além disso, mostram como nem tudo é o que parece.

Calma, não é um livro maçante que só fala de números; tampouco busca polemizar de graça. Muito pelo contrário, é uma leitura até curiosa.

Provavelmente o capítulo mais polêmico é sobre a queda da criminalidade nos EUA na década de 1990. Segundo os autores, isso se dá por uma série de fatores, um dos quais é a liberação do aborto em alguns estados norte-americanos. É. Eles defendem que crianças que não recebem atenção, amor e educação por parte dos pais e que vivem em ambientes desestruturados (pai na cadeia, mãe muito jovem, mãe viciada em drogas, etc.) têm maior tendência à criminalidade. Portanto, as crianças que estariam em idade para cometer crimes na década de 1990 deixaram de nascer, pois adolescentes grávidas, mulheres solteiras com problemas ou família desestruturada abortaram essas crianças. Tenso, né? Mas Levitt e Dubner deixam claro que não querem incentivar políticas governamentais de controle de natalidade por aborto (o que eles admitem ser cruel), nem justificar essa forma de interrupção da gravidez. Segundo eles, isso são estatísticas e não têm qualquer objetivo além da análise em si.

Bem, outro ponto que os autores analisam é o motivo de os traficantes de crack atualmente morarem com suas mães. Daí eles contam como o aluno da Universidade de Chicago Sudhir Venkatesh se infiltrou na gangue Black Disciplines e conseguiu analisar a estrutura de uma “empresa” de tráfico de drogas. Essa parte é bem interessante, porque o universitário se enfia na gangue, quase sendo morto. Mas ele consegue ganhar certa confiança do líder e passa muito tempo entre eles e a universidade.

O livro conta que atualmente nos EUA não vale a pena traficar crack. Pois é. Segundo os autores, os traficantes dessa droga ganham muito pouco, pois o preço da cocaína foi caindo e o crack se popularizou. Com isso, os traficantes começaram a fazer concorrência de preços e então os lucros sumiram. Quem sofreu foram os pequenos traficantes, que começaram a ganhar menos. Portanto, não têm grana para morarem sozinhos – e ficam na casa da mãe.

Há coisas mais amenas no livro. Ou não.

Os autores dedicam um capítulo todo ao desejo dos pais de serem perfeitos. E colocam uma pergunta: você deixaria a pequena Mary brincar na casa dos Smith, que têm uma arma no armário, ou na dos Doe, que têm uma bela piscina no quintal? Imagino que, de cara, você possa responder que é mais seguro ficar com os Doe. Errado. Segundo Levitt e Dubner, cerca de 550 crianças com menos de 10 anos morrem afogadas nos EUA ao ano, enquanto 175 mortes de pequenos são causadas por armas de fogo.

Há um outro capítulo reservado à Ku Klux Klan, que compara o grupo a corretores de imóveis. Nele, os autores contam como Stetson Kennedy desmascara a Klan, divulgando pelo rádio códigos que seus membros usavam e informações sobre ela, desestruturando-a. O ponto é que quem detém a informação também possui o poder do medo. A Klan era bastante temida pelo sigilo do grupo e pelos códigos secretos que usava. Mas não quero falar muito sobre isso; você vai precisar ler Freakonomics.

Não são teorias da conspiração, nem ideias absurdas. Tudo é fundamentado em fatos e números. E ao ler Freakonomics percebi como somos ignorantes sobre o que nos rodeia.

É, nem tudo é o que parece.

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6 Comentários

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6 Respostas para “Nem tudo é o que parece

  1. Henrique Pereira

    Há uma referência à minha pessoa nesse texto. Ou não.

  2. Priscila

    Nossa, que tenso! rsrsrs… Muito bom! Fiquei com vontade de ler! 😀

  3. Por que um livro que falasse só sobre números precisaria ser maçante? :p

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