Bobo da corte

Tenho algumas bandas/músicos em uma lista do tipo “1001 bandas para ver antes de morrer”. Dentre elas está Schandmaul.
Essa banda formada em Munique (Alemanha) no verão de 1998 é muito peculiar. São seis músicos que tocam instrumentos que talvez não pareçam combinar muito: guitarra, acordeon, flauta, gaita de foles, bateria, hurdy-gurdy (conheço pelo nome inglês, mas também é chamado de realejo em português), baixo, violino… E o que acontece quando juntam tudo isso? Rock folk medieval germânico. Não se assuste. É bom.
A primeira música que compuseram é Teufelsweib (mulher do diabo), que você pode ouvir aqui — e foi por causa dela que me apaixonei por esses alemães. Ela tem bem a cara da banda. Se você gostar de Teufelsweib, com certeza vai curtir Schandmaul.
O nome Schandmaul (língua maliciosa, em alemão) foi escolhido no primeiro show deles, por causa de um bufão desenhado em um baralho. O bufão, ou bobo da corte, era uma figura que tinha toda a liberdade para falar mal de quem desejasse, já que, por ser considerado meio louco, não era levado muito a sério. Daí, foi um passo para chegar em Schandmaul, uma palavra depreciativa hoje fora de uso relativa a pessoas que dizem coisas consideradas rudes e ultrajantes.  E o símbolo da banda é um bobo meio sinistro.
As letras das músicas são muito bem escritas, contam histórias e falam de tudo o que sempre foi atual para a humanidade (nossa, isso foi profundo). Bem, há muitos sites com a tradução das letras para quem não fala o alemão, então dá para conhecer o conteúdo das músicas também.
Uma das que mais gosto é Grosses Wasser (ouça aqui), cuja letra fala daquele momento no qual não vale mais a pena continuar, e em que a fuga termina, quando se olha para frente e é preciso decidir ir adiante ou voltar. Já Walpurgisnacht (ouça aqui) fala sobre a festa de boas-vindas à primavera que acontece no dia 1º de maio no hemisfério norte. Essa comemoração (leia-se: festa de arromba) começou com os pagãos, mas algumas comunidades cristãs a celebram ainda hoje em honra à Santa Valburga (medo desse nome hahaha). É muito ligada à lua e à celebração de um novo tempo.
Em 2007 fui ao festival de metal Wacken (pronuncia-se “váquen”) na cidade de mesmo nome na Alemanha para vê-los ao vivo. Eles são realmente músicos e superprofissionais. Apesar de desconhecidos por aqui, na Alemanha eles têm uma verdadeira legião de fãs que lotam seus shows (um deles foi meu professor de alemão em Munique, que quase me abraçou quando eu disse despretensiosamente que amava a banda ahahaha). Tive a honra de conhecê-los pessoalmente e pegar um autógrafo. O Thomas Lindner, que é o vocalista, até me deixou pular a grade e tirar uma foto com ele (especialmente porque disse que vinha do Brasil para vê-los). Ele foi muito gente boa.

Já “converti” vários amigos brasileiros e, inclusive, minha mãe. Se quiser conhecer mais, visite o site deles (http://www.schandmaul.de/), que tem um monte de vídeos bacanas, ou Grooveshark, para ouvir suas músicas.

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5 Comentários

Arquivado em Música

5 Respostas para “Bobo da corte

  1. Henrique Pereira

    E não é que eu curti essas três músicas?! No começo da primeira estranhei um pouco a voz do vocalista, mas me acostumei. Obrigado pela dica Giovanna! Quem sabe dou uma olhada em outros trabalhos da banda!

  2. Wagner Amaral

    Gostei! Músicas “divertidas” :p

  3. Ah! Eu lembro da Grosses Wasser que você me mostrou até hoje. 🙂
    Aliás, um dos meus amigos tem sobrenome Lindner. Vou comentar da banda com ele amanhã!

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