Fora do eixo – Londres II

Nosso amigo Ben e o Parlamento

Vista clássica de Londres!

Esta semana foi atipicamente gelada aqui na terra da Rainha, e, confesso, essa foi minha maior desculpa para deixar de postar.

Mas vamos lá para mais um texto especial.

Por que pedir licença se você pode se desculpar antecipadamente pela encheção de saco? Foi isso que percebi entre os londrinos no tube: ao invés de dizerem simplesmente Excuse me (licença) para abrir passagem no trem lotado, eles dizem Sorry (desculpa). Não só no metrô, como nas ruas, nas lojas, e por aí vai. Isso me lembrou de algo que aconteceu há pouco. Um dia, bati de frente com uma mulher numa esquina. Foi muito engraçado, dissemos apenas Sorry enquanto ríamos e seguimos o caminho e a vida.

Como boa paulista, a tranquilidade dos ingleses começou a me irritar em pouco tempo, claro. Eles são tão tranquilos, andam devagar, saem lentamente do elevador… Imaginem eu ali no fundo, desesperada para sair ou entrar logo no lugar. E os londrinos, além disso, são bem ligados a seus celulares, tablets e Kindles, e muitas vezes andam com os olhos neles. Respiro fundo e relevo, porque, primeiro, sou visita aqui. Segundo, no final, prefiro gente devagar, do que alguém me empurrando, socando e dando cotoveladas, como acontece na nossa linda cidade de São Paulo.

Quer dar uma ligadinha para casa?

Quer dar uma ligadinha para casa?

Sejamos justos: em Londres há gente tão sem noção como em qualquer lugar. Às vezes, você se depara com alguém contando umas coisas megacabeludas no celular e fica se perguntando se entendeu direito. E tem gente falando no celular praticamente em todo lugar, do parque à livraria. Um pouco irritante, na verdade.

Já falei? Londres é a terra da pizza barata. Caramba, por 4 pounds você come uma redonda fresquinha em uma das milhares de pizzarias que existem por aqui. Não espere uma maravilha gourmet, por favor. Mas pelo preço elas são melhor do que eu esperava.

Moro em Islington, na zona 2 da cidade, bairro também conhecido por ser um dos mais antigos de Londres. Dizem que o primeiro nome do lugar era Giseldone, dado pelos Saxões por volta de 1005 (sim, que lugar velho!). Segundo o site oficial do bairro, um antigo escritor descrevia a área como uma floresta cheia de feras. Estou tentando imaginar esse cenário onde estou agora…

Bem, a velha Islington também é a casa do time de futebol Arsenal há cem anos. Ontem, voltando de um passeio, a operadora do metrô avisou que a estação depois da minha estava fechada, por causa de um jogo que estava para acontecer. Daí, aqui em casa, ouvi o vizinho falando um monte de palavrão. Foi assim que descobri que ele é torcedor (ou “apoiador”, como eles dizem por aqui) do Arsenal, porque o time havia acabado de tomar um gol. Mas ele deve ter terminado a noite superfeliz, porque o placar final foi 4 a 1 contra o Wigan.

Em comparação a outras cidades europeias que visitei, Londres é de longe a com autoridades que me deixam mais tranquila (apesar do absurdo caso Jean Charles, anos atrás). Hoje fui na National Gallery e, como estava quente lá dentro, tirei meu casaco e o segurei no braço. Uma vez fiz isso em um museu alemão (desculpem, não me lembro de qual cidade) e o segurança veio correndo me dizer que não podia carregá-lo dessa forma (!!!!), mas vestir ou guardar. (Acho que isso explica bastante o amor que os alemães têm por nosso bagunçado país.) É óbvio que Londres tem milhões de olhos alertas, mas aqui me sinto mais livre para fazer o que quiser (dentro da lei hahaha).

Esta cidade tem tanta coisa bacana para fazer, que você acaba tendo que colocar prioridades. Eu já risquei da minha lista inicial algumas coisas (bastante caras, diga-se de passagem), como os estúdios da Warner com os cenários do Harry Potter. Amo os livros, mas nem vi todos os filmes. No lugar, decidi visitar em Westminster as Salas de Guerra de onde o Primeiro Ministro Winston Churchill comandou a Inglaterra durante os bombardeios a Londres na Segunda Guerra Mundial. É incrível, imperdível para quem ama história! Ainda comprei um livro com posteres da época da guerra e um presentinho para meu avô. Sai de lá e caminhei 6 minutos sob os “olhos” do Parlamento e da London Eye até a Trafalgar Square. Um belo passeio, ainda mais em um dia frio de sol tímido, mas presente, como hoje.

É isso. Até a próxima (e possivelmente, última)!

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3 Comentários

Arquivado em Viagem

3 Respostas para “Fora do eixo – Londres II

  1. Me reconheço na falta de paciência paulistana rsrsrs… Também gosto destas “análises” e comparações com a nossa sociedade. No final, a gente percebe que todos os lugares têm seus pontos positivos e negativos! 🙂

    Bom restinho de viagem, Gi!
    Beijo!

  2. Mais uma paulistana estressada e sem paciência aqui o/
    Mas, claro, é melhor gente lerda e educada do que os javalis que vemos por aqui. Estou adorando a série (embora eu esteja um pouco atrasada para comentar…rs)
    bjo

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