Fôlego

GravityNesta sexta, 11 de outubro, estreou nos cinemas Gravidade, drama (ou ficção científica?) com Sandra Bullock e George Clooney. Já aviso que não contarei o final, mas, infelizmente, não tem como deixar de dar alguns spoilers. Então, vou sinalizá-los para quem não quiser estragar as surpresas do filme.

A Dra. Ryan Stone (Bullock) está resolvendo um problema em um satélite na órbita do planeta Terra acompanhada de Matthew Kowalski (Clooney) e outros três astronautas. Enquanto os dois estão fora da nave, Houston informa que devem sair dali com urgência, pois em alguns segundos serão atingidos por escombros de um satélite destruído intencionalmente pelos russos, mas que causou uma reação em cadeia, desmantelando outros equipamentos em órbita. Stone não consegue se soltar e é atingida pelos destroços. Então começa o pânico para ela (e para nós, espectadores desavisados em nossos óculos 3D): a cientista se afasta da nave, girando pelo espaço. Se você acabou de jantar, nesse momento o conteúdo do seu estômago pode voltar e lhe dar um oi. A sensação é terrível, ouve-se a respiração acelerada de Stone em desespero e vê-se o espaço girando ao seu redor. O oxigênio começa a se esgotar em seu traje de astronauta, mas Kowalski aparece e a salva.

De volta à nave, descobrem que os outros três tripulantes morreram com o impacto dos destroços. Stone e Kowalski estão sem comunicação com a NASA e à deriva. Ela, em sua primeira viagem ao espaço e com a reserva de oxigênio em 10%, se desespera. Ele, mais experiente, enxerga a estação espacial norte-americana e decide flutuar até lá (nem sei se podemos usar esse verbo para o espaço sideral) com Stone para pegar um veículo e dirigir-se à estação chinesa, que se encontra a uns cem quilômetros dali (o que é perto, no padrão dele) para retornar ao planeta. O problema é que eles têm apenas 90 minutos, até que os escombros deem a volta pela Terra e os atinjam de novo. No caminho, conhecemos um pouco mais sobre Stone. Como o seu nível de oxigênio está muito baixo, Kowalski conversa com ela doutora, para mantê-la atenta. Descobrimos, por exemplo, que perdeu a filha de quatro anos, que faleceu em um acidente tolo, ao bater a cabeça em uma pedra. Stone parece não ter muitos motivos para viver. Já Kowalski faz questão de sobreviver e não perde a esperança de ser salvo. Agora vem o spoiler maior. Pare de ler aqui e retorne abaixo, se não quiser saber sobre o filme todo.

[spoiler]

No momento em que se aproximam da Estação, Kowalski perde a propulsão de seu traje e não consegue se segurar em nada. Stone prende o pé em alguns cabos e tenta puxar o colega, que está preso a ela por uma amarra. Ele a convence a deixá-lo ir, pois, caso contrário, os cabos que a seguram vão se soltar, pela pressão contrária que o homem faz. Kowalski se solta e Stone diz que vai buscá-lo de alguma forma. Depois disso, ela consegue penetrar na Estação. Aqui, vem uma das cenas mais lindas do filme (que não são poucas, já que temos como pano de fundo a Terra vista do espaço).

Quando ela entra, livra-se de toda aquela roupa pesada e do capacete. Stone flutua por alguns segundos em posição fetal, recuperando as forças e o ar. Há cabos por perto, e o lugar é redondo e extremamente silencioso. A cena deixa a impressão muito forte de renascimento, os cabos fazendo as vezes de cordão umbilical e Stone voltando à vida que quase lhe fugiu por entre os dedos. O espectador, também, pode aproveitar para respirar fundo e se recompor.

Bullock

A partir daí, é a luta da cientista para fazer a pequena nave de fuga funcionar e levá-la à estação espacial chinesa. Quando acha que não tem saída, porque descobre que o veículo está sem combustível, tenta se comunicar com Houston. Tudo o que consegue é falar com um homem de língua estranha. Apesar de ela dizer “Mayday”, ele não entende o seu pedido de socorro e parece conversar normalmente. Primeiro, Stone fica irritada, depois, ao desistir de lutar e decidir sucumbir à morte inevitável, pede-lhe (por meio de latidos, porque os dois não se entendem verbalmente) que coloque os seus cachorros ao microfone, como fez quando a comunicação foi iniciada entre os dois. Algum tempo depois, pode-se ouvir o som de um bebê, e o homem começa a cantar uma canção de ninar. Stone está entregue à morte, mas tudo o que deseja no momento é escutar os sons da Terra, do que há de mais inocente neste planeta. O filme não termina aí, mas não contarei mais. [fim do spoiler]

Gravidade tem imagens belíssimas. O diretor, Alfonso Cuarón, passou quatro anos e meio fazendo pesquisas, testes, animações e filmando, até chegar no resultado que vemos na tela. Mas a ausência de gravidade, que se vê em 99% do filme, pode afetar de forma negativa os espectadores mais sensíveis. A tela gira, escombros voam contra os seus olhos, os personagens lutam para manter a direção e o equilíbrio, o áudio varia entre o silêncio completo e sons gritantes. Não recomendo MESMO ver esse filme com dor de cabeça ou após uma refeição. Antes, eu havia comido apenas um sorvete e bebido água. Sai zonza e com um pouco de dor de cabeça. Passou logo; no entanto, o incômodo foi claro para mim.

Não sou muito fã do cinema hollywoodiano (como se vocês não soubessem ahahaha), e não me simpatizo particularmente com Sandra Bullock (sei que ganhou Oscar, acho que o meu problema é de “santo” mesmo), mas, olha, não tenho do que reclamar. Preciso concordar com a crítica que Gravidade é um dos melhores filmes (os críticos mais afoitos o consideraram O MELHOR) do ano. Muito tenso, de tirar o fôlego. E a atuação de Bullock faz o espectador se sentir naquele traje pesado, sem ar e direção.

Não conhecia Cuarón. Após uma rápida pesquisa, descobri que esse diretor mexicano foi responsável por Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, que recebeu boas críticas na época. Mas o fato curioso é que foi expulso do curso de Cinema em seu país, porque gravou um curta, Vengeance Is Mine, em inglês. Vou procurar outras obras dele, que ainda são poucas.

Bem, espectadores de estômago sensível, melhor passarem longe de Gravidade por motivos de saúde. Os demais, assistam em 3D. Aviso que o final não é muito surpreendente, mas a forma como é colocado faz a película valer a pena.

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2 Comentários

Arquivado em Cinema

2 Respostas para “Fôlego

  1. Eu sou fã do Cuarón e me interessei em ver o filme ao ler sobre as engenhocas que foram criadas para se obter os efeitos de astronauta vagando pelo espaço. Mas vou ter que deixar para assistir em casa. Enjoei só de ver o trailer, em 2D mesmo. Essas tecnologias não são para mim 😦
    bjo

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