Arquivo do mês: novembro 2013

Cosplay incidental

Dana ScullyApesar de nerd desde a infância, eu nunca tinha feito cosplay.

O meu sonho na adolescência era me vestir como a Dana Scully de Arquivo X, meu ídolo maior. Ela era incrível, séria, inteligente, bonita, baixinha como eu… Mas eu era uma menina, não tinha aqueles  longos sobretudos e tailleurs de Scully. Na época, não pude realizar meu desejo.

Muuuuitos anos depois (e não estou usando uma metáfora), acordei no meio de uma noite de quinta-feira pensando: “Uhm, acho que tenho o que é preciso desta vez”. Na sexta, fui para o trabalho com aquilo em mente. Fiz umas pesquisas sobre o figurino que queria e minha ideia parecia promissora. Quando cheguei em casa, vasculhei meus armários e, sucesso, eu tinha peças muito parecidas com as imagens que vira na Internet. Revi um episódio e acertei os detalhes.

Sábado, ansiosa, fui para o curso de espanhol, voltei correndo e me vesti. Um corpete com renda preta, mangas transparentes, uma saia bem longa de mesma cor, sapatos de salto altíssimos, um diário azul, a maquiagem certa, um hematoma (falso) no pulso direito. Bom, precisei vestir o corpete com ajuda de um espelho, para fechá-lo, pois era trançado nas costas. Mas consegui, deu tudo certo. Lá vou eu.

MelodyEntão, tive uma das experiências mais legais de minha vida adulta nerd. Fui ao Cinemark do Shopping Eldorado para assistir ao episódio  especial de 50 anos de Doctor Who, a série britânica que já faz parte de minha vida, mesmo nessa correria louca que meus dias se tornaram. Escolhi uma das personagens mais enigmáticas e interessantes do seriado, a Dra. River Song, no figurino que você pode ver acima.

Lá, havia fãs vestidos como o protagonista, o Doctor, em suas várias regenerações, outras vestidas como suas companions, como Martha, Amy Pond e a atual, Clara, mais alguns como personagens não fixos da séries, mas superlegais, como o Capitão Jack Harkness, e uma menina (fofíssima) como Dalek, um dos piores antagonistas do Doctor. Para a minha alegria, eu era a única River Song. E isso tornou as coisas ainda mais divertidas, porque, da mesma forma que sai caçando Doctors, companions e diversos personagens para tirar fotos com eles, outros fãs também vieram atrás de mim. O mais engraçado foi chamar as pessoas pelos nomes dos personagens, até nos apresentarmos de fato.

Para quem nunca fez cosplay, essa conversa toda deve parecer louca e talvez ingênua. Mas é um exercício muito interessante vestir-se como outra pessoa, especialmente se é fictícia e você a admira. Porque, para o fã, deparar-se com alguém nas vestes desse personagem é quase como encontrá-lo de fato. Provavelmente Freud explica, mas o que é divertido nem sempre precisa ser explicado. É um atestado de insanidade, como disse meu amigo Raul.

Doctors50No final, acabamos fazendo amigos. É quase como um networking (alerta, linguagem chata adulta), mas sem a pressão de vender nada, nem impressionar ninguém.

Não sei se poderei repetir a experiência, mas valeu muito a pena.

Para finalizar, se tiver curiosidade, no site Omelete você pode conferir, no primeiro grupo de imagens da página, algumas fotos minhas e de outros fãs de Doctor Who.

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Arquivado em Cinema, Séries