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Cosplay incidental

Dana ScullyApesar de nerd desde a infância, eu nunca tinha feito cosplay.

O meu sonho na adolescência era me vestir como a Dana Scully de Arquivo X, meu ídolo maior. Ela era incrível, séria, inteligente, bonita, baixinha como eu… Mas eu era uma menina, não tinha aqueles  longos sobretudos e tailleurs de Scully. Na época, não pude realizar meu desejo.

Muuuuitos anos depois (e não estou usando uma metáfora), acordei no meio de uma noite de quinta-feira pensando: “Uhm, acho que tenho o que é preciso desta vez”. Na sexta, fui para o trabalho com aquilo em mente. Fiz umas pesquisas sobre o figurino que queria e minha ideia parecia promissora. Quando cheguei em casa, vasculhei meus armários e, sucesso, eu tinha peças muito parecidas com as imagens que vira na Internet. Revi um episódio e acertei os detalhes.

Sábado, ansiosa, fui para o curso de espanhol, voltei correndo e me vesti. Um corpete com renda preta, mangas transparentes, uma saia bem longa de mesma cor, sapatos de salto altíssimos, um diário azul, a maquiagem certa, um hematoma (falso) no pulso direito. Bom, precisei vestir o corpete com ajuda de um espelho, para fechá-lo, pois era trançado nas costas. Mas consegui, deu tudo certo. Lá vou eu.

MelodyEntão, tive uma das experiências mais legais de minha vida adulta nerd. Fui ao Cinemark do Shopping Eldorado para assistir ao episódio  especial de 50 anos de Doctor Who, a série britânica que já faz parte de minha vida, mesmo nessa correria louca que meus dias se tornaram. Escolhi uma das personagens mais enigmáticas e interessantes do seriado, a Dra. River Song, no figurino que você pode ver acima.

Lá, havia fãs vestidos como o protagonista, o Doctor, em suas várias regenerações, outras vestidas como suas companions, como Martha, Amy Pond e a atual, Clara, mais alguns como personagens não fixos da séries, mas superlegais, como o Capitão Jack Harkness, e uma menina (fofíssima) como Dalek, um dos piores antagonistas do Doctor. Para a minha alegria, eu era a única River Song. E isso tornou as coisas ainda mais divertidas, porque, da mesma forma que sai caçando Doctors, companions e diversos personagens para tirar fotos com eles, outros fãs também vieram atrás de mim. O mais engraçado foi chamar as pessoas pelos nomes dos personagens, até nos apresentarmos de fato.

Para quem nunca fez cosplay, essa conversa toda deve parecer louca e talvez ingênua. Mas é um exercício muito interessante vestir-se como outra pessoa, especialmente se é fictícia e você a admira. Porque, para o fã, deparar-se com alguém nas vestes desse personagem é quase como encontrá-lo de fato. Provavelmente Freud explica, mas o que é divertido nem sempre precisa ser explicado. É um atestado de insanidade, como disse meu amigo Raul.

Doctors50No final, acabamos fazendo amigos. É quase como um networking (alerta, linguagem chata adulta), mas sem a pressão de vender nada, nem impressionar ninguém.

Não sei se poderei repetir a experiência, mas valeu muito a pena.

Para finalizar, se tiver curiosidade, no site Omelete você pode conferir, no primeiro grupo de imagens da página, algumas fotos minhas e de outros fãs de Doctor Who.

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Até que ponto vai um homem

Estou louca para escrever sobre um livro que terminarei de ler em breve. Mas por enquanto vou me segurar.

Desculpe-me a ausência. Acho que tive um bloqueio criativo. Porém, não deixei de ir a exposições (aliás, a do Caravaggio aqui em São Paulo é sensacional, apesar de pequena), ler livros e revistas e ver filmes e séries.

E não vou reclamar, porque a inspiração voltou. E quem a trouxe de volta para mim foi um químico doente e desenganado chamado Sr. White. Sim, estou falando de Breaking Bad, série norte-americana que já está na quinta temporada.

Walter White da série Breaking Bad

Para quem não conhece, Breaking Bad é sobre um químico com tudo para dar certo, mas que se torna um professor de colégio falido e pouco respeitado pelos alunos. Além disso, para complementar a renda, ele trabalha em um posto, muitas vezes lavando os carrões dos moleques. Bom, ele descobre que tem câncer de pulmão e pouco tempo de vida. Para piorar, sua esposa de quase 40 anos de idade está grávida do segundo filho (eles têm um adolescente de 17 anos com paralisia cerebral), ou seja, é possível que ele nem venha a conhecer o bebê. Em um beco sem saída, Walter White resolve se tornar produtor de metanfetamina e se associar a um ex-aluno traficante.

A série é bastante forte. O Sr. White e o tal ex-aluno, Jesse Pinkton, quase são mortos por traficantes concorrentes em diversos momentos. A esposa do primeiro começa a achar que ele tem uma amante, devido aos seus sumiços para produzir a droga. A cunhada é cleptomaníaca e o cunhado trabalha no Departamento de Narcóticos (a ironia maior). O filho não se conforma com sua postura diante da doença, de se entregar.

Acho que o que mais me atraiu em Breaking Badé ver alguém que sempre foi um cidadão-modelo, um homem correto e honesto, começar a chutar o balde (tema de Um Dia de Fúria, de 1993, com Michael Douglas). Ele incendeia o carro de um cara arrogante, que destrata os outros, e agride um rapaz que tira sarro de seu filho, por sua fala mole e andar de muletas (ele tem PC, lembra?). É o símbolo do homem levado ao seu limite. E diante da morte iminente, ele só pensa em guardar dinheiro para proporcionar um futuro relativamente confortável para sua família, custe o que custar. Mas fique claro que em nenhum ponto da narrativa Walt parece estar se vingando do sistema, de Deus, do mundo ou do que você quiser. Agora, para Walt, o fator público é irrelevante diante do privado, e não há uma questão ética (ele nem parece se preocupar com esse ponto — apenas produz a droga, independentemente de isso ser certo ou não). O químico, inclusive, passa a participar das negociações para a venda da met para os traficantes, porque vê que Jesse não tem habilidade para isso, e sua necessidade de acumular dinheiro é imediata. Ele faz tratamento, mas não sabe até quando vive.

Jesse e Sr. White

O protagonista é interpretado por Bryan Cranston, ator que fez o pai dos meninos terríveis do seriado Malcolm in the Middle. Quem via essa série dos anos 2000 (como eu) não consegue enxergar Hal, aquele pai maluco, em Bryan. Ele se transformou totalmente em Walter White, nem parece o mesmo ator dessa comédia que ganhou nove Emmys.

Aliás, uma pena Bryan não ter ganhado nenhum Emmy neste ano, sua atuação é incrível. Cada ruga em seu rosto parece ter sido feita pelos anos de uma vida difícil como professor de colégio. Mas não fiquei tão desapontada, porque Aaron Paul, que faz Jesse Pinkman, ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante em série dramática.

Mais uma série em que me viciei.

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