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Fidelidade

Traduzir também é criar.

Discordo totalmente das Escolas que dizem que o tradutor deve permanecer na penumbra, oculto pelo nome do autor e identificado em letras pequenas em algum lugar do livro. Ele pode, sim, deixar sua marca, simplesmente porque é obrigado a fazer escolhas.

Não estou dizendo que o tradutor pode pegar um original e alterar a seu bel-prazer. Isso seria desrespeito com o autor e uma deturpação de seu trabalho.

Mas a força criadora da tradução está justamente nas escolhas que é preciso fazer.  Nas traduções literárias, e até mesmo em legendas, fica mais fácil perceber essa criatura misteriosa no texto, o tradutor. Existe uma co-criação (no sentido de ser colaborativa e conjunta).

Acho que o bom tradutor consegue ser “visto” em seu trabalho. Na Faculdade de Letras, na Universidade de São Paulo, tive o privilégio de ser aluna de tradutores que respeito muito. Entre eles, estava João Azenha Jr. Ele é o responsável pelo texto em português d’O Mundo de Sofia de Jostein Gaarder. Quando li o texto após conhecer Azenha, comecei a sorrir. Porque era inegável sua presença ali. Não eram exatamente apenas expressões ou palavras que ele costumava usar. Era a forma de estruturar as frases, o zelo e o capricho.

Também já vi trabalhos que refletiam o tradutor – mas no pior dos sentidos. Textos mal escritos, ou sem revisão, com erros de entendimento da língua estrangeira. Os problemas são inúmeros, e todos representavam um profissional descuidado, despreparado e que estava lá simplesmente para fazer o serviço. Ou seja, servir de filtro humano para duas línguas diversas.

Respeito muito o original. Não usarei gírias em um artigo científico, claro. Porém, a tradução é ainda feita por seres humanos (nem venham me falar do Trados e companhia rs, porque existe uma pessoa por trás organizando e revisando as frases). E tudo que tem toque humano é criativo e vivo. Por isso, não acredito na tese de “tradução fiel” que algumas vertentes pregam. Não há fidelidade completa quando estamos lidando com trabalho feito por profissionais de carne e osso.

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Trabalhar em casa

Um aspecto básico da profissão sobre o qual ninguém fala é como trabalhar bem em casa.

Muita gente, das mais variadas profissões, opta por trabalhar no conforto do seu lar, especialmente em grandes cidades como São Paulo, onde perder 2 horas de seu dia (e da sua vida) em trânsito é perfeitamente normal (e um desperdício, a não ser que você não fique enjoado de ler no ônibus, metrô, ou tenha concentração suficiente para interromper a leitura toda vez que o farol abre, no carro).

O home office é algo cada vez mais comum na vida do tradutor. Por isso, dou umas dicas abaixo para trabalhar bem em casa.

1. Estabeleça o seu horário de trabalho. É irresistível estourar o “expediente” quando você tem um job e quer adiantá-lo para amanhã começar a happy hour mais cedo. Mas respeite o seu ritmo e o seu corpo. Muitas horas sentado trabalhando faz muito mal para os joelhos, as costas, olhos e até para a cabeça! Além disso, se não tomar cuidado, você acaba se privando do lazer e de outras atividades que são básicas na vida, né!

2. Delimite o seu espaço de trabalho. Nada de sentar na cama ou no sofá para trabalhar ou levar o notebook para a cozinha. Arranje um espaço para trabalhar, até mesmo para criar uma parede mental para separar o trabalho do resto do seu dia.

3. Organize o seu espaço de trabalho. Deixe dicionários, gramáticas, pastas de modelos, livros de consulta por perto, para não perder tempo procurando desesperadamente quando precisar deles.

3. Tire esse pijama! OK, é sonho de consumo de muitos trabalhar de pijama. Mas, vamos lá, um dia ou outro, tudo bem. Agora, todos os dias? Eu, pelo menos, sinto uma preguiça imensa se fico de pijama. Não consigo trabalhar assim, não me levo muito a sério de pijama rs.

4. Não é porque você está em casa, que vai assaltar a geladeira ou dar uma olhada na programação da TV a cada meia hora. Tente fazer o seguinte esquema: a cada 1 hora de trabalho, 10 minutos de descanso. É bom, porque você não se levanta da cadeira a todo momento, o trabalho rende e ainda dá uma esticada nas pernas.

5. Comer na hora que dá: não caia nessa roubada. Eu almoço todos os dias mais ou menos no mesmo horário. Se tenho um trabalho para logo, excepcionalmente atraso um pouco minha refeição. Quando tenho muita coisa para fazer, almoço, dou um tempinho e volto para o computador. Só não dá para ficar sem se alimentar, pois, como dizem os antigos, saco vazio não para em pé.

6. Se mora com alguém, converse com a pessoa e diga que você não deve ser interrompido por besteira (use uma palavra mais suave hahaha) durante as horas de trabalho. Caso contrário, não reclame se seu irmão parar do seu lado no meio do dia e começar a contar sobre a balada do final de semana.

É isso. Trabalhar em casa exige, sim, um pouco de disciplina. Mas, com o tempo, você mesmo vai descobrir táticas que funcionam melhor no seu caso.

E se você tem alguma dica ou sugestão, compartilhe com a gente!

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Intérpretes culturais

 

Deutsche WelleO canal de notícias alemão Deutsche Welle publicou uma matéria bem bacana sobre intérpretes interculturais. Eles são aquelas pessoas que auxiliam migrantes a se comunicarem em órgãos do governo alemão, postos de saúde, escolas e outros. É um trabalho bastante importante, mas que ainda não é reconhecido.

A matéria completa em português você lê em http://migre.me/5JGCB

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Títulos de filmes

Cena do filme A Primeira Noite de um Homem

O UOL fez um álbum ótimo com traduções bizarras de títulos de filmes.

Olhando o álbum percebi que nunca me dei conta de que o Dustin Hoffman nem era mais virgem no clássico “A Primeira Noite de um Homem” (cujo título original era “o formando”).

 

Podiam pelo menos prestar mais atenção nos filmes, né? rs

Vale a pena conferir as pérolas: http://cinema.uol.com.br/album/titulos_de_filmes_com_traducoes_bizarras_album.jhtm?abrefoto=1#fotoNav=15

(Contribuição: Marianna Ramalho)

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Família Real

Rainha da Inglaterra

Rainha Elizabeth II

Após insistência da Sua Alteza, o perfil fake do Príncipe William no Twitter (@william_princip), para eu voltar a escrever, encontrei nele uma ideia.

No Brasil, chegamos a ter uma Família Real pelos idos do século XVIII. Mas hoje percebo que quase ninguém sabe diferenciar “majestade” de “alteza” e usar os pronomes de tratamento de acordo com a posição da pessoa.

Após uma pesquisa em dicionários e sites (fontes no final do post), fiz o seguinte resumão do assunto para o português e o inglês. Pro alemão fica para uma próxima vez 😉

Reis/rainhas/imperadores/imperatrizes: Majestade – Majesty

Príncipes/princesas/duques: Alteza – Highness 

Membros da igreja/embaixadores/altos cargos do governo: Excelência – Excellency (Your Honor para juízes)

Cardeais: Eminência – Eminence

Ah, não se esqueça que, ao se dirigir diretamente para a pessoa, usamos “Vossa” em português, ou seja, “Vossa Majestade”. “Sua” é para quando nos referimos a ela.

Fontes: http://educacao.uol.com.br/portugues/pronomes-de-tratamento-voce-senhor-vossa-excelencia-e-outros.jhtm

http://www.wordreference.com/

http://www.alunosonline.com.br/portugues/pronome-de-tratamento.html

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O Mundo de Beakman

O Mundo de Beakman

Ontem enquanto assistia O Mundo de Beakman na TV Cultura (diariamente, às 19h15), me dei conta da genialidade dos dubladores e da equipe de tradução responsável pelo programa.

Genial é a decisão dessa equipe de adaptar os locais e nomes das pessoas que escreviam para o programa. Ontem, por exemplo, o Beakman leu um cartão postal de um garoto de Kansas City. Os dubladores criaram um nome fictício para o lugar de modo que tivesse a ver com o tema (vacinas). Muito criativos, não?

Além disso, todos os conceitos que aparecem na tela foram traduzidos para o português. Enquanto a criança/o adolescente/ o ex-adolescente rs assiste o programa, consegue ficar com a atenção presa, não há uma quebra como ocorreria se, por exemplo, surgisse um termo em inglês. E isso é válido também para a questão dos nomes de pessoas e locais adaptados. A proximidade entre telespectador e o programa é mantida com perfeição com esses recursos.

Parabéns a esse pessoal que tornou O Mundo de Beakman um programa ainda mais legal para o público brasileiro!

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Marketing!

Reparei que nunca postei nada aqui sobre marketing. Pois vamos lá.

Há um glossário de termos em inglês com explicação em português em http://www.ipv.pt/marketgloss . É um site do Instituto Politécnico de Viseu, portanto os textos estão em português europeu, o que não é um grande problema, na verdade. As explicações são breves e claras. É bem quebra-galho.

Também há um glossário da revista brasileira Exame (http://exame.abril.com.br/marketing/glossario/). Há termos em português e inglês e achei tudo bem explicadinho.

Se tiverem sugestões, mande para a gente!

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