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Fora do eixo – Edimburgo, Dublin e os londrinos

Já faz duas semanas que voltei de viagem e, nesse meio-tempo, decidi que precisava encerrar esse meu “salto inglês”, como diz Enrique Vila-Matas em seu Dublinesca, aqui no Silence Reports.

Vista dos Queen Street Gardens

Vista dos Queen Street Gardens

A surpresa desse mês britânico foi realmente a bela Edimburgo. Fui mais por sugestão de uma amiga do que por escolha própria, e a cidade me deixou boquiaberta. Da Princes Street, vê-se o castelo e o parque Queen Street Gardens, com seus esquilos. Anda-se pelo centro “novo” (entre aspas, porque não é tão novo) e se ouve alguém tocando gaita de foile. É engraçado, porque lá é possível encontrar homens com o traje escocês completo (aqueles kilts lindos, que vontade de trazer um!) tocando essa gaita típica em troca de uns pounds (libras).

Em Edimburgo (ou “Edinbru”, como dizem por lá), aprendi que os homens apenas usam o traje típico completo em ocasiões muito especiais, como casamentos e eventos oficiais. A exceção vai para os dias de futebol e rúgbi, em que os rapazes se reúnem em pubs vestindo kilts para torcer pelos seus times.

A capital escocesa possui um dos melhores museus nacionais que já visitei. Para ter uma ideia, passei quatro horas entre suas galerias e não vi tudo. Há peças históricas, artefatos arqueológicos, obras de arte e coisas que vão deixar qualquer criança de 6 ou 60 anos bem ocupada. E, em minha humilde opinião, achei a exposição egípcia muito mais organizada e interessante do que a do British Museum, de que tanto falam.

Sol na Ha'penny Bridge em Dublin

Sol na Ha’penny Bridge em Dublin

Outra parada foi Dublin. Confesso que minha visita à Escócia reduziu a força de minhas memórias da capital irlandesa, mas posso dizer que adorei o lugar. Os dublinenses, ao contrário dos escoceses, são faladores e alegres. Quando precisei descobrir qual ônibus  pegar no aeroporto para ir até o hostel no centro da cidade, fui auxiliada por um casal de idosos, que me mostrou o mapa e fez-me perguntas até acharmos a melhor opção. E a culinária irlandesa é uma alegria. Ao contrário dos ingleses, a Irlanda possui uma cozinha típica, muito saborosa, por sinal.

Dublin é a capital da Irlanda e da Guinness, a senhora cerveja que tem um gosto bem diferente em sua terra natal. A fábrica, ou storehouse, vale a pena ser visitada pelos amantes de cerveja, pois se tem a chance de conhecer o processo de feitura da bebida, a começar pela escolha da água. E, como não podia deixar de ser, no final pode-se tomar um pint (pouco mais de meio litro) de Guinness no bar envidraçado no alto do prédio, com vista para a Catedral de São Patrício, entre outros.

Algo que me irritou em Dublin foi o tempo. Sempre ouvi que o clima lá era “miserável”, mas eu o classificaria de louco mesmo. Porque dentro de dez minutos choveu, caiu gelo e abriu sol. Eu não acreditei nisso. Tudo bem, quem me conhece sabe que podem cair blocos de gelo, que eu não me importo e vou para a rua curtir a cidade hahaha. Não sou uma boa companhia de viagem para preguiçosos.

Mas voltemos a Londres. Mais especificamente aos londrinos.

Como filha de um país em desenvolvimento (olha o eufemismo), estou acostumada (não conformada) com certas coisas, como ruas esburacadas, oferta pública de lazer insuficiente, falta de segurança. O que via frequentemente na Inglaterra é a insatisfação das pessoas diante de certos assuntos. Por exemplo, eles se queixam de ser caro possuir um automóvel em Londres em razão do preço da gasolina, dos estacionamentos, do trânsito e do pedágio que você precisa pagar ao circular por certas áreas da cidade. No entanto, os londrinos têm acesso a um metrô que funciona muito bem e com uma malha gigante (desafio: tente encontrar rapidamente uma estação menos conhecida apenas olhando o mapa do tube). É caro? Pode ser, mas existem cartões especiais, com os quais você paga uma tarifa menor. E se você quer sair de balada sem pagar táxi, há os night buses que circulam entre meia-noite e quatro da manhã. Eles não cobrem todas as zonas londrinas, claro, mas já são uma ajuda para chegar na casa de algum amigo.

Em Londres, juro que não vi um pedinte, ao contrário do que aconteceu em Dublin e Edimburgo. Estou lendo uma autobiografia do George Orwell em que ele conta os dias de miséria que viveu na capital inglesa, no início do século XX (aguardem a resenha em breve). Não sei se aí estaria uma explicação para o que observei em Londres, mas ele diz que havia uma lei na época proibindo as pessoas de pedir esmolas nas ruas. Quem burlasse a lei, podia ser preso.

A Inglaterra enfrentou as turbulências da crise financeira como muitos países europeus, mas os seus efeitos sobre o cotidiano das pessoas não me pareceram proibitivos. Adoro conversar com taxistas, pois eles conhecem muita gente e veem a vida nas ruas, não só na televisão e nos jornais. Em meu último dia no país, um argelino me disse que não há crise, é tudo propaganda para os governos conseguirem o que desejam. Não concordo com ele, não seria radical a esse ponto, mas acredito que hoje os ingleses não sofram privações como os gregos ou os espanhóis padeceram nos últimos tempos.

Veja bem, não estou dizendo que os ingleses desconhecem o que é uma vida difícil, nem tenho moral para isso. Eles são um povo que passou pelas dificuldades e pelos terrores de muitas guerras (se tiver a oportunidade, visite o Museum of London e suas exposições bacanas com objetos e relatos de moradores da cidade que enfrentaram os bombardeios alemães na Segunda Guerra Mundial), mas, como todo ser humano, os londrinos olham apenas para os problemas, apesar de possuírem tantas coisas positivas. Confesso que houve momentos em que me cansei das queixas, mas não posso me esquecer de que eles têm um padrão de comparação imensamente diverso do nosso aqui no Brasil. E isso me fez ver como as pessoas (independentemente da nacionalidade) muitas vezes reclamam de barriga cheia. Meu incômodo, acredito, seja devido especialmente aos acontecimentos em São Paulo, com a nossa Polícia Militar que, ao invés de nos defender do crime, covardemente ataca pessoas pacíficas que estavam trabalhando ou protestando contra uma situação que não mais se sustenta.

Da próxima vez, vou ainda falar da questão da mídia no caso do suposto atentado terrorista no sul de Londres em maio. Aguardem 🙂

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Fora do eixo – Londres II

Nosso amigo Ben e o Parlamento

Vista clássica de Londres!

Esta semana foi atipicamente gelada aqui na terra da Rainha, e, confesso, essa foi minha maior desculpa para deixar de postar.

Mas vamos lá para mais um texto especial.

Por que pedir licença se você pode se desculpar antecipadamente pela encheção de saco? Foi isso que percebi entre os londrinos no tube: ao invés de dizerem simplesmente Excuse me (licença) para abrir passagem no trem lotado, eles dizem Sorry (desculpa). Não só no metrô, como nas ruas, nas lojas, e por aí vai. Isso me lembrou de algo que aconteceu há pouco. Um dia, bati de frente com uma mulher numa esquina. Foi muito engraçado, dissemos apenas Sorry enquanto ríamos e seguimos o caminho e a vida.

Como boa paulista, a tranquilidade dos ingleses começou a me irritar em pouco tempo, claro. Eles são tão tranquilos, andam devagar, saem lentamente do elevador… Imaginem eu ali no fundo, desesperada para sair ou entrar logo no lugar. E os londrinos, além disso, são bem ligados a seus celulares, tablets e Kindles, e muitas vezes andam com os olhos neles. Respiro fundo e relevo, porque, primeiro, sou visita aqui. Segundo, no final, prefiro gente devagar, do que alguém me empurrando, socando e dando cotoveladas, como acontece na nossa linda cidade de São Paulo.

Quer dar uma ligadinha para casa?

Quer dar uma ligadinha para casa?

Sejamos justos: em Londres há gente tão sem noção como em qualquer lugar. Às vezes, você se depara com alguém contando umas coisas megacabeludas no celular e fica se perguntando se entendeu direito. E tem gente falando no celular praticamente em todo lugar, do parque à livraria. Um pouco irritante, na verdade.

Já falei? Londres é a terra da pizza barata. Caramba, por 4 pounds você come uma redonda fresquinha em uma das milhares de pizzarias que existem por aqui. Não espere uma maravilha gourmet, por favor. Mas pelo preço elas são melhor do que eu esperava.

Moro em Islington, na zona 2 da cidade, bairro também conhecido por ser um dos mais antigos de Londres. Dizem que o primeiro nome do lugar era Giseldone, dado pelos Saxões por volta de 1005 (sim, que lugar velho!). Segundo o site oficial do bairro, um antigo escritor descrevia a área como uma floresta cheia de feras. Estou tentando imaginar esse cenário onde estou agora…

Bem, a velha Islington também é a casa do time de futebol Arsenal há cem anos. Ontem, voltando de um passeio, a operadora do metrô avisou que a estação depois da minha estava fechada, por causa de um jogo que estava para acontecer. Daí, aqui em casa, ouvi o vizinho falando um monte de palavrão. Foi assim que descobri que ele é torcedor (ou “apoiador”, como eles dizem por aqui) do Arsenal, porque o time havia acabado de tomar um gol. Mas ele deve ter terminado a noite superfeliz, porque o placar final foi 4 a 1 contra o Wigan.

Em comparação a outras cidades europeias que visitei, Londres é de longe a com autoridades que me deixam mais tranquila (apesar do absurdo caso Jean Charles, anos atrás). Hoje fui na National Gallery e, como estava quente lá dentro, tirei meu casaco e o segurei no braço. Uma vez fiz isso em um museu alemão (desculpem, não me lembro de qual cidade) e o segurança veio correndo me dizer que não podia carregá-lo dessa forma (!!!!), mas vestir ou guardar. (Acho que isso explica bastante o amor que os alemães têm por nosso bagunçado país.) É óbvio que Londres tem milhões de olhos alertas, mas aqui me sinto mais livre para fazer o que quiser (dentro da lei hahaha).

Esta cidade tem tanta coisa bacana para fazer, que você acaba tendo que colocar prioridades. Eu já risquei da minha lista inicial algumas coisas (bastante caras, diga-se de passagem), como os estúdios da Warner com os cenários do Harry Potter. Amo os livros, mas nem vi todos os filmes. No lugar, decidi visitar em Westminster as Salas de Guerra de onde o Primeiro Ministro Winston Churchill comandou a Inglaterra durante os bombardeios a Londres na Segunda Guerra Mundial. É incrível, imperdível para quem ama história! Ainda comprei um livro com posteres da época da guerra e um presentinho para meu avô. Sai de lá e caminhei 6 minutos sob os “olhos” do Parlamento e da London Eye até a Trafalgar Square. Um belo passeio, ainda mais em um dia frio de sol tímido, mas presente, como hoje.

É isso. Até a próxima (e possivelmente, última)!

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Fora do eixo – Londres I

Cream tea!

Cream tea!

Como alguns já sabem, estou na Inglaterra desde domingo passado. E, sim, em Londres, na louca capital europeia!

Sete dias aqui e tenho algumas coisas para contar. Já fui em várias atrações, mas este post não é um guia, mas impressões de viagem.

Chá!

Se você gosta de chá no Brasil, prepare-se, porque quando menos perceber, em Londres vai estar consumindo 3 xícaras como se fosse água. E do British way, ou seja, com leite! Estou ficando viciada, é engraçado. Troquei facilmente o café pelo chá. Não tenho sentido falta de cafeína até agora.

Metrô!

É um pesadelo. Não porque seja sujo (é bem limpo) ou lotado (putz, isso depende da linha e da hora que você tomar o tube), mas a malha ferroviária de Londres é gigante. Achar uma estação na rede sem nem saber a linha em que ela se encontra é uma tarefa para testar a sua paciência.

As estações mais antigas são bem legais, com azulejos nas paredes indicando direções ou o nome do lugar.

Outra coisa sobre o metrô londrino é a profundidade das estações. A Russell Square, que é onde desço para ir para o curso, fica o equivalente a 15 andares abaixo da terra! Quase morri ao subir até a superfície pelas escadas. Por isso, as estações costumam ter uns elevadores enormes com duas portas. Você entra neles já virado para a porta que abrirá em direção à saída.

Os trens em si costumam ser bem antigos, mas arrumados, não aquilo que vemos em São Paulo.

Quando vaga um lugar no trem, os homens costumam perguntar para nós, mulheres, se desejamos sentar.  Achei bem simpática a atitude. Mas como em SP, as pessoas geralmente ficam perto da porta nos horários de pico, o que tem me irritado um pouco. Teve dia que deixei passar 2 trens, porque não era possível entrar no vagão.

Ônibus!

Aqui eles os chamam de coach. Adoro andar de ônibus, independentemente de ser o de dois andares (que são muito legais!) ou o normal. A viagem é mais barata do que de metrô e você vê Londres.

Para o ônibus parar, a gente faz aquele sinal com a mão como no Brasil. Mas o diferente é que os pontos cobertos são virados para a calçada, não para a rua, como acontece aí. É muito estranho.

Comidas/bebidas!

Aqui há milhares de pubs, claro, mas o que percebi é a enorme quantidade de restaurantes naturais. Tem o Pret Manger, que amo, o Eat e outros, que têm sanduíches, saladas, wraps, barrinhas, sucos e um monte de outras coisas boas, baratas e frescas. Muito amados por nós, estudantes hahaha.

Ontem, ao visitar a linda cidade de banhos romanos, Bath, tomei o famoso cream tea: chá quentinho servido com um leite cremoso e uns pãezinhos doces fofos, nos quais você espalha creme (tipo chantilly) e geleia. Eu ADORO coisas de padaria, então imaginem a minha alegria infantil diante de uma mesa assim.

Sol!

Depois de 3 dias gelados, o sol! E o meu desespero europeu de aproveitá-lo ao máximo. Porque o frio aqui é cortante, venta bastante em muitas regiões de Londres. Quando o sol dá o ar de sua graça, eu e todo mundo (provavelmente hahaha) compramos comida em algum lugar e levamos para o parque ou para a praça, fazendo uma espécie de piquenique improvisado. É realmente uma urgência aproveitar os raios solares ao máximo, mesmo que isso não necessariamente signifique que o tempo estará quente. É bacana visitar as áreas verdes perto da Universidade de Londres e de outros locais de ensino e ver as pessoas comendo até mesmo pizza nos gramados.

Ah, água de torneira aqui é potável, exceto se tiver algum aviso dizendo o contrário. E não é permitido beber álcool em espaços públicos, como parques ou na rua. Jean, a minha anfitriã aqui, disse que o governo tenta, dessa forma, diminuir o consumo de álcool pelos moradores de rua. Ela disse que tem gente que bebe em lugares assim, mas se a polícia pegar a pessoa, ela é multada. Então, já sabe, piquenique só com suco!

Pessoas!

Os londrinos são bem bonitos, algo que contrariou minhas expectativas. Dá gosto de pegar o metrô de manhã ahahaha.

No geral, achei as pessoas bem educadas e relativamente abertas. Até hoje, tive sorte até mesmo com a minha host mum, a Jean, que é um amor e responde pacientemente às minhas perguntas políticas ou bobas.

Bom, está um sol lindo lá fora e tenho coisas para fazer neste domingo. Em breve, farei mais um relatório dos meus dias londrinos 😉

Até mais!

P.S.: da próxima vez, coloco mais fotos bacanas!

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