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Visita à amiga

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Minha querida companheira de aventuras e editora Priscila Silva me convidou para contribuir na edição de julho da Revista Escrita Pulsante. Os textos que as editoras publicam são bem escolhidos e amo o visual da Revista. Nem preciso dizer que fiquei superfeliz.

E sobre o que mais escreveria? Sobre literatura, claro! Bem, na verdade, sobre o escritor Jonathan Franzen e “nossa” relação conturbada.

Meu texto você pode ler aqui, mas vale a pena ler a edição toda também.

Espero que curtam. 🙂

Foto: Sebastian Lucre

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A Visita Cruel do Tempo

Na primeira semana de julho fui a Paraty conferir a 10ª Festa Literária Internacional. Esse ano o homenageado foi o grande Carlos Drummond de Andrade e estavam presentes alguns dos autores internacionais mais comentados. Não resisti à tentação de vê-lo.

Um desses autores é a norte-americana vencedora do Pulitzer Jennifer Egan. O último livro dela lançado no Brasil pela Intrínseca é o A Visita Cruel do Tempo. Já havia visto nas livrarias, mas com toda a falta de tempo em que ultimamente tem se resumido a minha vida, acabei não comprando antes. E me arrependi.

Com a autora na Flip, comprei esse livro e lhe pedi um autógrafo, que ela me deu entre uma mordida e outra de seu sanduíche, pois era uma da tarde e tinha diante de si uma fila imensa de fãs. Chegando em São Paulo, foi o primeiro livro que peguei para ler.

A Viagem Cruel do Tempo é sobre música, pessoas que trabalham direta ou indiretamente com música, sobre o passado recente e o futuro próximo. E a música é tão importante, que a própria Egan contou na Flip que escreveu o livro inteiro ouvindo algumas bandas antigas e outras atuais. Mais para o final, descobrimos algumas das pérolas que fizeram parte da escrita de A Viagem: Young Americans (aquela boa sonoridade gingada do David Bowie), Good Times Bad Times (incrível do Led Zeppellin), The Time of the Season (amo essa do Zombies), Foxey Lady (clááássica do Jimi Hendrix) e Roxanne (tão final dos anos 70 do Police), entre outras.Para fazer jus ao livro, estou ouvindo essas mesmas músicas ao escrever este post.

Os personagens são os mais variados possíveis. Um produtor musical que vive profundamente o estilo “sexo, drogas e rock’n’roll”, uma cleptomaníaca que passou anos vivendo em cortiços em Nápoles, uma RP, cinco adolescentes da década de 70, punks, uma menininha de 9 anos que chama a mãe pelo primeiro nome, um jornalista preso por tentar estuprar uma estrela do cinema, um ditador sanguinário de algum regime oriental. E cada capítulo parece autônomo, pois é dedicado a um personagem, mas, não, não é como a série Game of Thrones, de George R. R. Martin. Em A Viagem, há diversos “protagonistas”, e a alguns é emprestada voz, a outros, um narrador onisciente. No início, você acha que Egan quer traçar um panorama das vidas ligadas à música, mas, no final do livro (sem spoiler), você consegue entender a rede de relações que unem essas personagens aparentemente desconectadas.

Mas descobrimos que o verdadeiro protagonista, no final das contas, é o tempo, que inclusive aparece no título. Ao passar das páginas, vemos o que ele “fez” com as personagens, como levou algumas à decadência (moral, corporal) e outras, à redenção.

Só um adendo: a Intrínseca teve a feliz ideia de chamar o quadrinista Rafael Coutinho para fazer a capa. O trabalho dele ficou incrível, captou com perfeição a ideia do livro, de biografias interpostas, com traços de rostos misturados, e aquele clima meio rock’n’roll de caos visual. Amei.

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