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Vampiros e sombras em Portugal

O BarãoNa abertura da II Mostra de Cinema Português Contemporâneo, fui conferir O Barão, ficção de 2011 do diretor Edgar Pêra.

Com um enredo resumido em “Remake neuro-gótico dum filme fantasma. A narrativa, expressionisticamente hipnótica, conduz o Inspector-Narrador-Espectador até o castelo do Barão”, fiquei em dúvida se cairia no sono ou acharia esse filme um dos melhores que vi neste ano. Tomei coragem e fui até o Centro Cultural da Caixa na Praça da Sé para ver no que ia dar.

Vamos começar do princípio. Nos minutos iniciais, ficamos sabendo da suposta história misteriosa da película. O Barão, baseado em uma obra de Branquinho da Fonseca, foi rodado por uma equipe norte-americana em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial em português e inglês. Posteriormente, o filme de terror (com aquele ar de filme B) foi proibido pelo ditador em razão de seu conteúdo, a equipe que o filmou foi obrigada a fugir da Europa e os atores acabaram em um campo de concentração. Achava-se que havia sido perdido para sempre, mas foi encontrado e restaurado pelo diretor Edgar Pêra. História incrível, mas verdadeira? Honestamente, decidi não pesquisar se é realmente um “filme fantasma”, porque essa introdução cria um mistério que prefiro deixar associado em minha mente a O Barão.

O filme é falado em português europeu e legendado em inglês. Claro que a legenda me salvou algumas vezes de perder uma ou outra fala por minha falta de intimidade com o português de Portugal, mas frequentemente era diferente da fala a ponto de complementá-la! Outro ponto de destaque eram os momentos em que as palavras das personagens se perdiam no silêncio, e a legenda, por sua vez, esmaecia na tela. Um recurso tão ignorado pelos cineastas, acabou completando muitas cenas desse filme luso.

Pois bem, O Barão conta a história do tal “Inspector-Narrador-Espectador” sem nome (como os demais personagens masculinos da película) que vai visitar um vilarejo português no meio do nada para inspecionar o seu sistema de ensino. O filme, em preto e branco, tem ares de Drácula (de Bram Stoker, ou, se preferir, Nosferatu, não aquelas películas bizarras de vampiro que brilha no sol), com o Inspe(c)tor dentro de uma carruagem se dirigindo ao povoado acompanhado de outros dois homens respeitáveis e uma senhora com dois meninos.

No caminho, o filme mostra a que vem. Em um misto de delírio e realidade, vemos, à margem do caminho, figuras sinistras e distorcidas em fachos de luz que percorrem rapidamente a vegetação, em um esconde-esconde lúgubre. O Expressionismo mencionado no resumo do enredo se apresenta logo nos primeiros minutos.

CenaBarao

O Barão e sua empregada, Idalina

O pobre homem chega ao anoitecer no lugarejo e é recebido pela professora responsável pela educação das crianças do local. Ela logo lhe aponta o Barão, que se introduz dizendo algo que o caracterizará ao longo do filme: “Quem manda aqui sou eu”. E manda mesmo, como veremos adiante. Mas ainda mais importante que esse fato é o momento em que o Barão aparece. Seu rosto sobrepõe, na tela, a face do Inspetor, dando-nos a sensação de hipnose que tomou conta deste pela presença do Barão, homem que ocupa todos os espaços, sombras e silêncio.

Ah, Inspetor! Se você soubesse a roubada em que ia se meter ao conhecer o Barão! Mas não vamos estragar o prazer e contar o final. Porque isso é o de menos.

O homem que manda ali o convida para passar a noite em seu castelo, deixando claro que não se alimenta, apenas bebe. O Barão e o Inspetor sentam-se em uma longa mesa, cada um em um extremo. O desconforto é evidente e tão intenso, que nos sentimos incomodados com aquela figura forte, de rosto cruel, interpretada pelo ótimo (excelente, maravilhoso) Nuno Melo. A postura do ator me impressionou e me surpreendi ao descobrir que começou a sua carreira no teatro, mas fez televisão a vida toda (inclusive participou da brasileira Senhora do Destino).

O esfomeado Inspetor permanece sentado, ouvindo as histórias do Barão, que se movimenta pela sala de paredes de pedra que mais se parece com um palco de teatro. Está sempre presente o jogo de trevas e luz, dando ênfase a certos elementos em detrimento de outros em prol das sensações provocadas pelas histórias do senhor do lugar. Estas, aliás, fazem o Inspetor e o espectador transitarem entre a pena e a repulsa. É claro que o Barão deseja testar o homem e brincar com os seus sentidos, já meio entorpecidos pela fome. Mas toda a ambientação, a voz dura de Nuno, suas histórias e o jogo de sombras criam uma espécie de claustrofobia, que vai tomando conta da sala de cinema.

Esses são apenas os momentos iniciais do filme, mas, como

Quem Manda

(ahahaha não podia deixar passar essa), prefiro parar agora. Se tiver a oportunidade, assista O Barão e veja como um filme de terror (sim, afinal é terror mesmo) não precisa ter dedos decepados, tripas espalhadas ou almas penadas para ser bom.

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Marketing!

Reparei que nunca postei nada aqui sobre marketing. Pois vamos lá.

Há um glossário de termos em inglês com explicação em português em http://www.ipv.pt/marketgloss . É um site do Instituto Politécnico de Viseu, portanto os textos estão em português europeu, o que não é um grande problema, na verdade. As explicações são breves e claras. É bem quebra-galho.

Também há um glossário da revista brasileira Exame (http://exame.abril.com.br/marketing/glossario/). Há termos em português e inglês e achei tudo bem explicadinho.

Se tiverem sugestões, mande para a gente!

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Nova regra ortográfica

Agora que os países falantes do Português têm de adotar uma nova ortografia, as coisas ficaram meio complicadas para nós, tradutores. Reaprender tudo, andar com livros debaixo do braço ou tabelas presas pelo escritório? Pois é, já tentei de tudo, mas é muito chato ficar consultando esses materiais, além de, às vezes, nem haver uma resposta rápida para a sua dúvida neles. Por isso, eu passei a usar o Ortografa (www.ortografa.com.br). Essa pérola te mostra se a palavra teve alteração em sua grafia. Digite “painéis” na caixinha e clique no botão ortografa. “éi” vai aparecer destacado e é só passar o mouse por cima do destaque para ler a explicação. Dica da minha amiga tradutora Eliane. Aprovada!

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