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Tudo está nos detalhes

Tesis Sobre Un HomicidioJá que ando no clima de escrever sobre cinema (vocês provavelmente dormiriam se soubessem das minhas leituras atuais), hoje vou falar de mais um filme. Agora, um suspense, para variar.

No final de julho, chegou às telas brasileiras Tese Sobre um Homicídio, novo thriller argentino com o meu querido Ricardo Darín. Admito que escolhi o filme pela presença pelo cast, mas não me decepcionei (ufa!).

Roberto Bermudez é um especialista em direito criminal que oferece um seminário na Universidade de Direito. Dentre seus alunos está Gonzalo Ruiz Cordera, um jovem advogado que voa da Espanha para a Argentina somente para acompanhar essas aulas.

O professor acaba de lançar um livro sobre a estrutura da justiça argentina e, na noite de autógrafos, Gonzalo aparece e lhe expõe sua teoria. O rapaz tenta lhe provar que não existe justiça, já que a noção de crime é muito relativa. Para ilustrar sua ideia, diz que se matar uma borboleta qualquer, não será preso. No entanto, se destruir a borboleta da coleção de um milionário, certamente ele será processado. Bermudez não dá importância à tese de Gonzalo, dizendo que poderia derrubá-la com uma dezena de contra-argumentos.

Em sua segunda aula, Bermudez fala algo que precisaremos manter em mente a partir daí e que será o mote da trama: “Detalles. Todo está en los detalles”. Em seguida, uma moça é encontrada morta no estacionamento da universidade em frente à janela da sala onde está a turma de Bermudez. O professor vai até a cena do crime e começa a observar tudo atentamente. O fato de o corpo ter sido deixado onde ele poderia ver o incomoda e faz com que se envolva na investigação.

Ao conversar com o legista e analisar o cadáver, Bermudez percebe que a moça, que descobrem ser Valeria, garçonete do bar em frente à Universidade, usava um pingente de borboleta no pescoço. O que o intriga é que ela foi estrangulada, mas o colar não deixara marcas em sua pele. Bermudez leva embora o pingente sem o legista ver e começa uma investigação paralela, inclusive conversando (e se envolvendo) com a irmã da vítima, Laura.

Darin y sus detalles

O protagonista se concentra nos detalhes do crime e tudo parece indicar que o assassino é Gonzalo. Mais adiante descobrimos que o rapaz, na verdade, é sobrinho de Bermudez, e o admira a ponto de ter se tornado advogado por causa do tio.

O que me agradou bastante em Tese Sobre um Homicídio é a forma pela qual o diretor Hernán Goldfrid apresenta as hipóteses e descobertas. O filme tem muitas cenas silenciosas, em que o espectador é convidado a participar das investigações de Bermudez com os olhos. Os personagens não exprimem tudo verbalmente e, em diversos momentos, você é obrigado a tirar as suas próprias conclusões.

O silêncio em si me agrada, pois não é excessivo a ponto de tornar o filme sonolento. Por outro lado, os diálogos que existem entre os personagens não são gratuitos e também revelam muitos elementos importantes – é preciso ficar atento, porque, caso contrário, você perde informações valiosas.

Outra coisa positiva da película é a cena em que Bermudez segue Gonzalo até o museu e o observa à distância. Nesse momento, todas as pessoas à volta estão desfocadas, e apenas vemos claramente o protagonista e o rapaz. A sua obsessão parece fazer com que enxergue somente o alvo de suas suspeitas, nada mais importa.

Darín, que está em cartaz em São Paulo com outros dois filmes, Um Conto Chinês (uma comédia dramática excelente, recomendo!) e Elefante Branco, convence no papel de homem obcecado e consegue fazer o espectador tomar seu partido. Foi engraçado que, ao comentar sobre Tese com algumas pessoas, descobri que o ator tem mais fãs ao meu redor do que eu podia imaginar.

Outro ator que está  igualmente bem é Alberto Ammann no papel de Gonzalo – bem, a ponto de ficar com vontade de lhe dar um soco na cara rs. Ele conseguiu fazer o advogado prepotente e irritante que o roteiro exigia.

Fazia tempo que não via um bom suspense cujo protagonista me envolvesse tanto, a ponto de eu não ter absoluta certeza da verdade. Não darei spoilers, então, assistam!

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Branca de Neve toureira e os seis anões na Espanha

Cartaz de BlancanievesPara escrever sobre este filme, precisava escolher uma trilha gótica. Como não quero estragar meu atual estado de espírito (fugindo do inferno astral no mês do meu aniversário rs), resolvi não colocar nada muito dark para tocar. Por isso, estou ao som do primeiro disco dos holandeses do Within Temptation, época em que ainda eram góticos. Acho que vai combinar perfeitamente com o filme de hoje.

A semana em que vi o maravilhoso O Barão foi especialmente proveitosa, pois além dele assisti também o espanhol Blancanieves. Sim, um remake não-remake do clássico conto de fadas dos irmãos Grimm!

A película de Pablo Berger chegou ao Brasil traduzida como Branca de Neve, mas, para evitar confusão com outras versões, aqui adotarei o título original, em espanhol.

Vocês já devem saber que, sempre que vejo novas versões de velhas histórias, tenho cautela. Mas o que me levou a ver Blancanieves é que, primeiramente, as resenhas todas diziam ser uma versão gótica, em preto e branco, muda e ambientada na Espanha das touradas no pós-Primeira Guerra. Tudo bem, vocês vão me dizer que sou louca por filmes pb mudos. Só que podia sair tudo errado, e paguei para ver.

Blancanieves é um filme com uma longa gestação: foram quase dez anos até que o diretor conseguisse financiamento para o seu projeto. Por isso, o resultado teria de ser, no mínimo, aceitável. Ainda bem que é muito mais do que isso.

A história é a seguinte: Carmen de Triana, no mês final de gravidez, assiste a seu marido, o famoso Antonio Villalta, tourear. Apesar de sua habilidade, o toureiro desvia o olhar do último e mais feroz touro e é atingido por ele. Sua esposa entra em trabalho de parto e o homem é levado em estado grave ao hospital. Ela dá à luz Carmencita (sim, a Branca de Neve não é Branca, é Carmem!), mas morre. Ele, por outro lado, sobrevive e fica preso a uma cadeira de rodas. Encarna, a enfermeira responsável por seu cuidado, descobre que Villalta é muito rico. Abalado pela morte da esposa, o toureiro acaba rejeitando a filha, que fica sob a tutela da avó, e é convencido pela interesseira a se casar novamente.

Algumas das cenas mais belas do filme estão nesse período em que Carmencita vive com a avó. A menina herda da mãe o gosto pelo flamenco e, quando dança, a sala de cinema é inundada pelas palmas e pelo violão da música espanhola. O efeito é arrebatador. Encontrei uma amostra da trilha sonora de Alfonso Villallonga no SoundCloud. Vale a pena acessar: https://soundcloud.com/milanrecords/sets/alfonso-villalonga

Bom, mas como em um drama gótico a alegria não dura, a avó morre e Carmencita, já com uns 10 anos, é enviada com o seu galo de estimação para a mansão em que o pai vive infeliz com a ex-enfermeira sadomasoquista (não é metáfora). Encarna é a perfeita madrasta má, e coloca a enteada para trabalhar como empregada, além de fazê-la dormir em um celeiro. Maribel Verdú e seus olhos enormes e expressivos conseguiram transmitir à personagem uma perversão e crueza egoísta escondida sob joias, maquiagem e classe.

A madrasta torna a vida da menina um inferno, especialmente depois que descobre que Carmencita visita o pai frequentemente. Um dia, ao perseguir o galo que sumiu, a garota encontra Villalta na cadeira, sozinho no quarto. Os dois acabam por ficar amigos e o pai lhe ensina técnicas de tourada.

Os seis anõesQuando Carmencita já está mais adulta, Encarna manda o motorista matá-la. Ele não é bem-sucedido, e cinco anões e uma anã (tenho minhas dúvidas sobre seu sexo) de um show mambembe a resgatam e passam a viajar com ela. Não, não há sete anões nesta versão e, ao contrário dos personagens caricatos dos irmãos Grimm e fofos da Disney, os seis do filme mais parecem saídos de algum daqueles freakshows antigos, em que eram exibidas pessoas com deformidades. Na verdade, a apresentação que levam de cidade a cidade tem esse teor, e o mais velho é um toureiro-anão que enfrenta animais menores. O final (que não vou contar) volta a explorar esse aspecto, mas de forma bastante brutal.

Carmencita, agora com amnésia, passa a ser chamada pelos anões de Branca de Neve. Apesar de não se lembrar do próprio nome e ignorar seu passado, as habilidades de toureira da moça afloram, trazendo notabilidade para o grupo. Ela é convidada para tourear na arena em que seu pai se acidentou e, aos poucos, suas memórias começam a voltar. Um amigo de Villalta a reconhece e vai falar com ela. A madrasta se surpreende ao vê-la na arena, viva e aplaudida por todos.

Não contarei o fim, pois ainda dá para ver Blancanieves no único cinema de São Paulo que o exibe, a Reserva Cultural. Só posso dizer que, quando apareceram os créditos na tela, a plateia estava quieta e atônita.

Mesmo sendo em pb, o filme espanhol não é dominado por sombras como O Barão. E diferentemente de O Artista, no qual o contraste entre o som e o silêncio é sempre ressaltado na comparação entre o cinema mudo e o falado, em Blancanieves nos esquecemos que nada mais há do que a trilha sonora. Há telas com algumas falas escritas, mas a expressividade dos atores preenche o espaço deixado pela ausência das vozes humanas.

Para terminar, recomendo acessar o site oficial do filme, http://blancaniev.es/, que é supercaprichado e passa bem o clima de Blancanieves. Dá para ver o teaser na página inicial e conhecer um pouco mais sobre esse drama mudo-pb-gótico.

Ah, a minha trilha sonora para este texto você encontra aqui: http://grooveshark.com/album/Mother+Earth/163244

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Mudança de ares

Sim! Mudei o nome do blog!

Este é o antigo Tentativas de Tradução.

Faz alguns meses que o nome do blog começou a me incomodar profundamente. Ele limitava a temática de meus posts e eu queria escrever sobre literatura e outras coisas que me interessam.

Hoje, resolvi tomar coragem: abri um novo blog e importei o conteúdo do Tentativas. E aqui estamos.

Agora uma explicação para o nome.

Como escolher um nome mais inspirado e abrangente? Entrei em um daqueles geradores automáticos de nome para blogs (Weblog Name Generator, muito simples e divertido, por sinal) e li “Silence Community”. Achei o nome forte, mas ainda não era o que eu queria. Clicando um pouco mais, encontrei Black Reports. Juntei um com o outro e deu nisto.

E por que silence (silêncio, em inglês)?

Apesar de minha mente estar o tempo todo criando e trabalhando, meu trabalho é feito no silêncio. Por isso, este blog são relatórios desses momentos de silêncio, em que penso em literatura, música, tradução e revisão.

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